O manejo de águas pluviais é frequentemente chamado de drenagem, e consiste tradicionalmente em drenar o escoamento superficial gerado depois de uma chuva, AFASTANDO da fonte com o principal objetivo de evitar danos a propriedade causados por inundações.
Nessa visão água, que é um recurso essencial na nossa vida, se transforma em resíduo.
“A chuva é um recurso, não um resíduo”
E esse é o primeiro paradigma que devemos romper.
É primordial que manejo das águas pluviais deve considere a água da chuva como um recurso, que pode ser utilizado para diminuir o consumo de água potável, pode irrigar jardins e hortas, recarregar o aquífero e facilitar o fenômeno de evapotranspiração, importante para a regulação da temperatura.
Dando correta importância aos prejuízos humanos e econômicos causados pelas inundações, mas não é simplesmente afastando essa água que resolvemos o problema, inclusive nos grandes centros urbanos sabemos que esse tipo de conceito de gestão é inviável.
“A água da chuva lava as cidades”
A poluição das águas é um outro problema relacionado ao modo tradicional de lidar com as águas pluviais.
O escoamento superficial lava as superfícies da área urbana resultando em uma alta carga de poluentes e normalmente chegam aos rios e córregos sem nenhum tipo de tratamento.
Utilizar sistemas de manejo que filtrem essa água na fonte, como a pavimentação permeável, incentivar as soluções baseadas na natureza (nature-based solutions), que a vegetação no tratamento dessa água ajuda a reduzir a carga de poluentes sem saturar as estacoes de tratamento de esgoto tradicionais.
“Manejo sustentável de águas pluviais”
Os sistemas de manejo sustentável de águas pluviais atuam na quantidade de escoamento superficial atuando na redução de volume e vazão, atuando na qualidade através da remoção de poluentes e oferecendo uma serie de oportunidades de valorizar o projeto: educação, segurança, recreação, relações publicas e riqueza estética.
Nesse contexto a água da chuva e sua gestão se torna uma característica importante na qualidade do projeto, ao invés de ser rapidamente conduzida através de uma tubulação subterrânea fora do lote.
Existe uma serie de sistemas construtivos que atendem essas características, e podem ser divididos entre infraestruturas cinzas e verdes:
– INFRAESTRUTURA CINZA
- Condutores: tubos, canais, barragens
- Controle de fluxo: entrada, divisores de fluxo, extravasador
- Reservatórios: cisternas
– INFRAESTRUTURA VERDE
- Filtração através de plantas
- Reservatório de retenção seco
- Reservatório de retenção (pond)
- Wetland
- Bacia e trincheira de infiltração
- Jardim da chuva
- Biovaleta



O projeto “ideal” observa e tenta ao máximo respeitar o percurso natural da água da chuva no lote. Não utiliza apenas uma solução, mas um leque de soluções combinadas, distribuindo e espalhando a gestão da água em toda a área do terreno.
- Usa o paisagismo e limita a utilização de tubos.
- Tira inspiração na natureza, aumentando ao máximo a interceptação da água da chuva pela vegetação, em modo que chuvas de pequena altura não cheguem a produzir escoamento superficial.
- Facilita a infiltração utilizando pequenas áreas de retenção como planters e jardins de chuva.
- Tenta resolver maiores volumes privilegiando a utilização de reservatórios de retenção e poços de infiltração, se o terreno permite.
- Considera se possível a captação e reutilização da água da chuva reduzindo assim o consumo de água potável para fins não potáveis.
- Durante a concepção do projeto parte do conceito que a água que chega no terreno através da chuva é um RECURSO que deve ser utilizado e valorizado e não um resíduo a ser afastado.
NOTA: Quem quiser saber mais sobre o tema eu recomendo consultar o SUDs Manual, que pode ser baixado gratuitamente nesse link.
Texto enviado pela engenheira Mariana Marchioni – Pesquisadora no Politecnico di Milano na Seção de Ciência e Engenharia da Água (SIA) do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (DICA). Atua como consultora e projetista na área de drenagem urbana, principalmente com os pavimentos permeáveis.
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