Restaurante sustentável no Rio de Janeiro é o primeiro empreendimento comercial a receber o selo Qualiverde de construção sustentável. Além da arquitetura eco-eficiente o restaurante tem projetos sociais e atividades em diferentes áreas relacionadas à sustentabilidade.
O escritório responsável pelo projeto do Restaurante Ibérico, Beti Font Arquitetura Sustentavel & Lighting Design, teve como desafio realizar num empreendimento comercial soluções sustentáveis atendendo a realidade econômica do empreendimento e obter o selo Qualiverde na reforma, uma qualificação desenvolvida pelo conselho Municipal de Política Urbana do Rio de Janeiro, que concede benefícios fiscais e edilícios às construções sustentáveis.
A construção inicial, precisava de grandes adaptações, melhorar o aproveitamento da luz natural foi a primeira. Foram feitas grandes aberturas no volume existente e parte de fachada foi demolida, resultando em um terraço com mais espaço e em dois grandes salões que guardam transparências e vivacidade.
Somou-se à volumetria um terceiro pavimento em steelframe pré-fabricado e um telhado verde, proporcionando maior conforto térmico e minimizando o impacto deste pavimento sobre o entorno.
Várias soluções sustentáveis foram introduzidas no projeto. A água – a cada dia um bem mais precioso – ganhou atenção especial e foi tratada de diferentes maneiras.
Nas áreas externas foi criado um sistema de captação de água pluvial. Filtrada, ela rega o telhado verde e o jardim vertical ornado com plantas nativas. A mesma água pluvial tratada é reutilizada também para a lavagem de pisos e áreas externas com as torneiras instaladas. Para que este uso fosse racional, torneiras com dispositivos de economia e vasos sanitários com o sistema ecoflush foram instalados juntamente com piso drenante para oferecer melhor qualidade à terra e alívio ao sistema de esgotamento da área.

O telhado verde, além de ser um enriquecimento visual para a vizinhança, cria um isolamento térmico natural ao edifício. Outras soluções, como aquecimento solar de água, grandes aberturas na fachada facilitando a entrada da luz natural, iluminação artificial de LEDS (com redução substancial do consumo de energia), circuitos independentes e sensores de presenças acumulam fatores de alta eficiência energética.

Na decoração, foram escolhidos materiais de acabamento natural e ecológico: as tintas são à base de terra; o isolamento acústico de Rockwool, PET reciclada e fibras de madeira mineralizada; as madeiras são reaproveitadas de demolição ou certificadas; dormentes compõem o carpete vermelho da entrada; refugos de uma metalúrgica carioca deram forma às mesas de terraço; e vergalhões de outras obras foram reutilizados para a fabricação da adegas e corrimão.

Há, ainda e indispensavelmente, a adoção de práticas sociais e ambientais no dia-a-dia da operação. Exemplo, o ciclo dos ingredientes da cozinha: eles vêm de fornecedores certificados da região metropolitana. E há uma horta local para o cultivo de temperos e especiarias e a coleta seletiva de sobras e resíduos.
Um inovador tratamento de água de osmose inversa garante água mineral nas versões com e sem gás. A água é engarrafada no local e vendida para o comensal que quiser integrar-se a um projeto sócio-sustentável, já que parte da arrecadação com a venda de cada garrafa é destinada a uma ONG dedicada à formação de novos chefes. O restaurante está também vinculado à Gastromotiva, instituição que utiliza a gastronomia para promover a inclusão social.
Todas as práticas adotadas faziam parte de tecnologias e ideias existentes. Juntá-las em um único projeto lhe deu a originalidade da receita da sustentabilidade.
Planta Baixa – Restaurante Ibérico


Imagens e texto cedidos por Beti Font










